"O verdadeiro e perfeito amor se mostra nisto: "que se tenha grande esperança e confiança em Deus;" pois só na confiança e em tudo quanto se ousa esperar de Deus, nele verdadeiramente se encontra e ainda mil vezes mais". Deus é infinito em sua simplicidade e simples em sua infinidade. Por isso, está em toda a parte e em toda a parte todo inteiro. Deus está no mais íntimo de cada coisa, e só no mais íntimo, e somente Ele é Um. Deus supremo é pensado como algo em comparação ao qual nada há de melhor e mais sublime, e não se encontrará que creia ser Deus um ser tal que possa haver algo melhor do que Ele.
Com frequência se ouve isto: "Eu não vou à Igreja, mas rezo em casa". Não se pode comparar "a sua reza" em casa com a força do Corpo e Sangue de Cristo e com a Palavra de Deus na Igreja. Diz Cristo: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,53-54). A Fé precisa ser vivida em comunidade, na Igreja. No meio de tanta corrupção e miséria, a Igreja é, hoje em dia, o único lugar de refúgio do povo, para ele se sentir bem perto de Deus. A Igreja é a única guardiã dos valores do Reino de Deus: do amor, da verdade, da honestidade, da justiça, da caridade, da solidariedade com os pobres... Ela é única depositária deles. Digo a única, porque a família e a sociedade passam por uma grande crise. Muitos, querendo justificar sua Fé em Deus e ao mesmo tempo sua ausência da Igreja, colocam como desculpas que "rezam em casa e que Deus está no seu coração". A verdade é que falta sinceridade consigo mesmo. Deus não é levado em consideração em sua vida. Por que? Porque Deus sempre incomoda, exige fidelidade, conhecimento e prática de Fé. Por isso, é mais cômodo deixá-lo de lado, não segui-lo. Sua presença é um convite permanente aos autênticos valores: o amor, a fraternidade, a justiça, a caridade, a honestidade, a assumir as consequências de sua responsabilidade como cristãos. Excluindo Deus da sua vida, evitam esses compromissos. Pensemos um pouco nisso...
"Não pense outra coisa senão que tudo é ordenado por Deus. E onde não há Amor, ponha Amor e colherá-Amor"(carta de S.João da Cruz para Madre Maria da Encarnação monja do Mosteiro de Segóvia) Esta última frase revela toda a alma de Frei João que, devido à sua íntima união com Deus, consegue mudar tudo em Amor. À Madre Ana de Santo Alberto, priora do Carmelo de Caravaca, ele escreve: "Já sabe, filha, os trabalhos que agora se padecem. Deus assim permite para provar seus escolhidos. "A vossa fortaleza estará no silêncio e na esperança".Nas cartas destes últimos meses de sua vida, Frei João, mantém sempre uma visão sobrenatural dos acontecimentos e não tolera que se fale mal dos seus acusadores. Os últimos "porquês" das coisas se encontram em Deus; seria muito perigoso buscá-los dentro da esfera, imediata dos comportamentos.
Considero Tempos Fortes aqueles que você se retira para um deserto e se entrega intensamente a familiaridade com Deus. Você cura as feridas recebidas em combate e volta para a luta forte e sadio.
Os Tempos Fortes servem não só para fazer-nos crescer na amizade com Deus, mas também para fazer-nos recuperar o equilíbrio emocional, uma vez que à estabilidade interior está sendo pressionada e combatida como nunca. De vez em quando temos de nos retirar para a solidão completa,para recuperar a unidade interior. Se não organizar retiradas frequentes, o homem de Deus será arrastado pela corrente da dispersãoe naufragará como "chamado e escolhido" e também como o projeto fundamental de vida.
"Neste mundo, porém os dias rodam e rodam; uns vão, outros vem, nenhum fica.Enquanto falamos, também os momentos se empurram uns aos outros; nenhuma sílaba pode esperar até outra soar. Enquanto estamos falando, ficamos um pouco mais velhos, e, sem dúvida, sou mais velho, agora do que hoje de manhã. Assim nada fica parado, nada está firme no tempo. Por isso devemos amar aquele que cria o tempo, os momentos, para que sejamos livres do tempo e confirmados na eternidade onde não mais existirá a variabilidade do tempo".
Como a Agostinho, a Igreja pode oferecer aos jovens Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre. O Papa Bento XVI, na XXIII Jornada Mundial da Juventude, falou aos jovens: "A Igreja pode oferecer uma nova geração, onde a vida seja acolhida, respeitada e cuidada amorosamente. Um amor que não seja ambicioso nem egoísta, senão puro, fiel e sinceramente livre. Uma época na qual a esperança nos liberte da superficialidade, da apatia e do egoísmo, que envenena as realações humanas. A Igreja tem necessidade de vossa FÉ, de vosso IDEALISMO e de vossa GENEROSIDADE para seguir sendo jovem no ESPÍRITO". Não temos que dar por perdidos os jovens que, como Agostinho, no fundo buscam a veradede e a felicidade. Eles são capazes de entusiasmar-se quando se lhes apresenta JESUS CRISTO, caminho, verdade e vida para o homem de hoje. Há uma juventude que trabalha dia após dia em viver segundo o Evangelho. Esta juventude nova é a que renovará o mundo, a sociedade e a Igreja.

"É uma ironia muito grande, uma contradição, estarmos constantemente procurando pelos clímaces da vida, enquanto eles estão presentes em todas as coisas que estão em torno de nós e deleitam nossos olhos". Hoje em dia, toda uma indústria da diversão tenta satisfazer a procura por vivências extraordinárias. Ela não teria tanto sucesso se a saudade e o anseio disso não estivessem tão profundamente enraizados na alma humana. Experiências de cume: Tais experiências, porém, não podem ser produzidas ou encenadas artificialmente. Acontecem quando vivemos inteiramente o momento presente. Então, um nascer do sol pode ser uma experiência de cume.